O que você está sentindo agora? Será que está triste? Apreensiva? Feliz? Desde quando você sabe que pode sentir? Como será que isso acontece nas crianças? Desde muito pequenos os bebes são seres emocionais (além de emocionantes). Será que somos habilmente capazes de reconhecer emoções dos outros e das crianças? Por exemplo quando um bebe nasce ela já expressa emoções de interesse, nojo, dor e contentamento. Lá por volta dos três anos as crianças aprendem duas emoções que vão ser decisivas durante suas vidas: o orgulho e a vergonha. Imagine que uma criancinha descubra que sente vergonha e imagine também que sua mãe acentua esse sentimento com criticas severas ao seu comportamento. Bem há grandes chances dessa criança no futuro se tornar alguém bastante inseguro. As crianças pequenas esperam sempre uma avaliação de um adulto presente para saberem se o que fez foi certo ou errado.
Explicando melhor, você já deve ter visto alguma criança que insiste em mexer num jarro de vidro que não poderia e quando você diz: Não! Ele se afasta e olha pra você. Se você ri ele vai e pega novamente o jarro e espera sua reação. E ele pode ficar ali brincando com você de pegar o objeto e vê sua reação por muito tempo até que o jarro cai e o assusta ou você perde a paciência. De certa maneira desde bebês, nós, com nossas caras e bocas, demonstramos para os outros nossas emoções e com caras e bocas (expressões faciais) também ensinamos aos pequenos.
Mas continuando a construção de nossas emoções...quando alguma coisa te faz mal o que você faz? Quer dizer desde o primeiro ano de vida aprendemos a nos afastar das coisas ou situações que nos machucam, mas algumas pessoas não se afastam. Será que elas não aprenderam? Será que aconteceu alguma coisa que impediu essa aprendizagem? Quando as crianças vão crescendo e vão aprendendo a dizer estou chateada, estou com raiva ou triste com seus pais e colegas essas interações vão ajudando que elas mesmas regulem suas emoções. Mas algumas crianças, como trás Oklander (1980) não sabem reconhecer ou regular suas emoções. Algumas delas possuem falhas em sua percepção. Então se mal conseguem perceber o mundo como podem reagir a ele de forma coerente? Vamos pensar: para que eu possa compreender a emoção na face de outra pessoa todo um sistema de reconhecimento no meu cérebro deve ser acionado envolvendo os meus cinco sentidos, a minha memória, isso também inclui um bom conhecimento das regras emocionais que varia de cultura pra cultura, de família pra família, de classe social, ou seja depende muito do contexto, depende também das minhas referencias sociais. Uma criança que tem liberdade para falar como se sente e conversa sobre sentimentos com alguém com certeza terá melhor êxito no reconhecimento das emoções externas e internas nas suas relações. Isso me leva a pensar que saber expressar suas emoções é tão importante quanto reconhecer essas emoções nas relações interpessoais, mas será que elas estão diretamente relacionadas? Quando as crianças não conseguem compreender suas emoções isso causa sofrimento porque parte delas fica sem poder se comunicar no mundo. Sentir e não conseguir falar sobre o que se sente deve ser realmente algo desesperador.

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